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segunda-feira, 27 de julho de 2009

Devaneio

Um poema disfarçado de música...


Mergulhei no mar
mas não dava pé
Me apaixonei
mas não sei por quem
Sonho com alguém
que você não é

Eu me entreguei demais
eu imaginei demais
e o silêncio fala mais que a traição

Foi um devaneio meu
um veraneio seu
e um outono inteiro em minhas mãos

Vi o sol nascer
pelos olhos seus
Me deixei levar
eu não relfeti
Que era a luz dos meus
refletida em ti

Eu me entreguei demais
eu imaginei demais
e o silêncio fala mais que a traição

Foi um devaneio meu
um veraneio seu
e um outono inteiro em minhas mãos

;*

P.s.1: Jorge Vercilo é tudo de bom [né, Li ;D]
P.s.2: Eu choro com essa música

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Morta de medo...

Podia ser um poema da Clarice
ou uma música do Vercilo
mas são apenas palavras minhas
soltas sobre essa página...

Esse medo que eu sinto
será que um dia vai passar?
Será que eu vou aprender a arriscar?
O problema de correr riscos é perder no final...

Eu não sei perder, nunca soube...
perder é pra aqueles que não ligam
e eu ligo, por isso é que morro de medo.

E você, morre de medo assim como eu?
Dói pra você pensar em não me ter mais,
como dói pra mim?
Droga droga droga
E pior... as vezes eu acho que te amo.


;*

terça-feira, 31 de março de 2009

Asas...



Feche os olhos e me encontre ali
atrás da suas palpebras
é onde você vai sempre me encontrar....
Aonde o vento soprar você vai me sentir
e vai lamentar pelas palavras não ditas...
Mas há palavras que devem ser guardadas
elas não cabem em nenhum daqueles momentos.

E agora? Eu digo, deixe o vento soprar...
ele sempre soprará,
como eu sempre estarei ai nas suas memórias.
E as memórias existem para serem esquecidas...

Esqueça-me. Esconda-me no abismo.
Mas não se esqueça
eu tenho asas e voo com o vento....


;*



domingo, 8 de fevereiro de 2009

Fugindo...

Eu vou fugir de você.
Vou fugir com todas as forças do meu corpo,
com toda a vontade do meu ser.
Vou fugir enquanto puder,
sem assumir que não quero te encontrar.
Meu olhar não vai se encontrar com o teu
e o meu corpo nunca vai sentir o teu.
Nunca. Não enquanto eu conseguir fugir,
enquanto tiver forças pra te evitar.


Isso foi uma tentativa de poema... me perdoem, mas é o meu primeiro...


P.s.: Este foi escrito há algum tempo atrás. Portanto não retrata uma situação atual...


;*

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Lua adversa

Cecília Meireles


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha...


Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para o meu uso.


E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Em mim não há fim...

Alguma coisa em mim
ainda vai longe
alguma coisa em mim
não vai dar pé
alguma coisa em mim
parece que foi ontem
alguma coisa em mim
quer acontecer...
alguma coisa em mim
eu nem te conto
alguma coisa em mim
não tem mais fim
Alzira Espíndola e Alice Ruiz


Saindo da crise. Eu acho... ;]


See I want you to need me, the way that I need you...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sei lá..

Minha culpa
Florbela Espanca

Sei lá! Sei lá! Eu Sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fatuo, uma miragem…
Sou um reflexo… um canto de paisagem
Ou apenas cenario! Um vaivem

Como a sorte: hoje aqui, depois alem!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!…

Sou um verme que um dia quis ser astro…
Uma estatua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor…

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador…

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Ninguém venha me dar vida

Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis.

Cecília Meireles

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Eu sou a Coisa, coisamente.


EU ETIQUETA

Carlos Drummond de Andrade


Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sou terra...

Quarta é dia de poesia... então, hoje, sendo quarta-feira, vai ter mais uma.

Dez Chamamentos ao Amigo
Hilda Hilst

Se te pareço
noturna e imperfeita
olha-me de novo
porque esta noite
olhei-me a mim
como se tu me olhasses
E era como se a água
desejasse
escapar de sua casa que é o rio
e deslizando apenas
nem tocar a margem
Te olhei. E há tanto tempo
entendo que sou terra...
Olha-me de novo
com menos altivez
e mais atento.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Desdobrável...

Com licença poética
Adélia Prado

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro minha sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.